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Santos x Palmeiras: pode perder por dois e se classificar
O Verdão tem três resultados na mão na Vila Belmiro. E é justamente por isso que o jogo de quarta é o mais caro do mês.

A conta que o palmeirense precisa decorar
Santos e Palmeiras se enfrentam nesta quarta-feira, 2 de setembro, às 21h30, na Vila Belmiro, pela volta das quartas de final da Copa do Brasil. O Verdão venceu a ida por 3 a 0 no Nubank Parque, com dois gols de Flaco López e um de Andreas Pereira, e entra em campo com três resultados na mão.
A matemática é simples e vale decorar antes do apito:
- Derrota por um gol: Palmeiras classificado.
- Derrota por dois gols: Palmeiras classificado.
- Derrota por três gols: decisão nos pênaltis.
- Derrota por quatro ou mais: Santos avança.
O problema é que "só cai se levar quatro" é o tipo de frase que faz time grande entrar em campo dormindo. E a Vila Belmiro é o pior lugar do país para entrar dormindo.
O que mudou do Nubank Parque para a Vila
Três coisas mudaram, e nenhuma delas favorece o Palmeiras.
A primeira é o gramado. Na ida, Neymar foi relacionado, não viajou com a delegação e não pisou em campo, por não querer atuar em piso sintético. Na Vila é grama natural — a discussão simplesmente deixa de existir. O jogador que ficou de fora no Nubank Parque tende a estar em campo quarta-feira, no estádio onde foi lançado e com a torcida do lado.
A segunda é o humor do adversário. O Santos não chega quebrado: venceu o Corinthians por 1 a 0 fora de casa na 25ª rodada do Brasileirão e respirou na tabela. Time que ganha clássico como visitante entra na Vila acreditando que a virada é possível.
A terceira é o histórico, e essa parte quase nunca aparece na conversa. O retrospecto naquele campo não é de freguesia para ninguém: em mais de cem jogos na Vila Belmiro, são 43 vitórias do Palmeiras, 42 do Santos e 18 empates. Isso não é vantagem histórica. É moeda no ar há mais de um século.
Some a isso o desenho do estádio. A Vila é curta, a torcida fica praticamente sobre a linha lateral e o jogo fica abafado. É o cenário ideal para um time desesperado tentar atropelar nos primeiros vinte minutos.
Elenco curto e um calendário que cobra caro
O adversário de quarta não é o Santos. É o calendário.
Depois do empate em 1 a 1 com o Mirassol, que manteve o Palmeiras na liderança do Brasileirão com 52 pontos mas permitiu que o Flamengo encostasse, Abel Ferreira foi direto em coletiva: o grupo está enxuto, há jogadores no departamento médico e ele não pretende poupar ninguém — a intenção declarada é apostar em todas as competições.
A lista de ausências e dúvidas para a Vila:
- Jefté — fora após cirurgia no joelho direito.
- Ramón Sosa — problema muscular na coxa esquerda.
- Paulinho — novamente em transição física.
- Jhon Arias — melhor jogador do time na ida, saiu com dores na parte posterior da coxa direita, teve lesão leve confirmada em exame e desfalcou o time contra o Mirassol. É dúvida.
Uma boa notícia no meio do pacote: Arthur foi expulso contra o Mirassol, mas a suspensão vale apenas no Brasileirão. Na Copa do Brasil ele está à disposição.
E o que vem depois de quarta pesa mais do que a própria quarta. No domingo, 6 de setembro, tem Botafogo fora de casa, no Nilton Santos. Na semana seguinte começa a quarta de final da Libertadores contra a LDU, com jogo de ida no Nubank Parque e volta em Quito, a quase três mil metros de altitude. O jogo da Vila é o menos decisivo dos três — e é o que mais pode custar caro. Perder um titular por lesão numa eliminatória praticamente resolvida seria o pior negócio da temporada.
Segurar não é opção — e o argumento está na ida
A pergunta que interessa é se o time entra para administrar ou para jogar. A resposta correta está no próprio jogo de ida.
O Santos marcou individual, homem a homem, com sobra na última linha, e segurou o Palmeiras por trinta minutos. Quando o bloqueio caiu, caiu por três caminhos diferentes: chute de fora da área de Flaco López, rebote em jogada trabalhada finalizado por Andreas Pereira e bola aérea na segunda trave, de novo com o centroavante. Chute de longe, rebote e cabeçada. Um time que marca de três formas distintas não tem motivo nenhum para se esconder atrás da linha do meio-campo.
Há ainda um detalhe tático que muda o jogo de quarta: o Santos precisa de quatro gols. Isso obriga o Peixe a subir a linha de defesa e a se lançar desde o primeiro minuto, o que abre espaço nas costas da zaga. Com Flaco López — quatro gols nesta edição da Copa do Brasil — e Vitor Roque para atacar profundidade, esse espaço é presente.
O erro clássico seria o de sempre: recuar a linha, entregar a bola e olhar o relógio. Isso não segura jogo nenhum; convida o adversário a fazer o primeiro gol. E o primeiro gol do Santos na Vila muda o clima do estádio em dois minutos.
A ressalva honesta
Não existe tranquilidade absoluta aqui. Três gols em noventa minutos, na Vila, com Neymar em campo e a torcida empurrando, não é ficção científica — já aconteceu com times melhores do que este Palmeiras. Se o Santos marcar nos vinte minutos iniciais, o jogo entra num roteiro que o palmeirense já viu e não gostou.
Por isso o número que importa quarta-feira não é o quatro do Santos. É o um do Palmeiras: um gol do Verdão na Vila encerra a eliminatória na prática, porque o adversário passa a precisar de cinco.
Há outro detalhe que ninguém comenta em jogo teoricamente resolvido: cartão amarelo bobo, tirado em jogada desnecessária, é o tipo de prejuízo que só se sente na semifinal, quando faltar o jogador. Cabeça fria na Vila vale tanto quanto perna.
O que está em jogo
Do outro lado da chave, na mesma quarta-feira, o Vasco decide contra o Vitória no Barradão com 1 a 0 de vantagem da ida. Quem passar de Santos x Palmeiras enfrenta o vencedor desse confronto na semifinal.
O Palmeiras chega ao início de setembro na liderança do Brasileirão, nas quartas da Libertadores e a noventa minutos da semifinal da Copa do Brasil, encarando um calendário que nenhum outro clube do país encara. A leitura correta para quarta é uma só: entrar para matar o jogo cedo, tirar o estádio da partida e, aí sim, poupar quem precisa ser poupado. Administrar 3 a 0 na Vila Belmiro é convite para complicar o que já está resolvido.
