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Brasil x Marrocos: o adversário mais duro do grupo
Marrocos não é azarão: o adversário da estreia do Brasil na Copa foi 4º em 2022 e já venceu a Seleção. Por que o Grupo C começa difícil.

Esquece a ideia de aquecimento
O Brasil estreia na Copa do Mundo 2026 no sábado, 13 de junho, às 19h de Brasília, contra o Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. E quem está tratando esse jogo como um aquecimento, três pontos garantidos e segue a vida, vai levar um susto. O Marrocos é, de longe, o adversário mais difícil do Grupo C — mais perigoso que a Escócia e que o Haiti. Quem desenhou o grupo entregou o osso mais duro logo na primeira mordida.
Pra completar, a Seleção encara essa estreia sem o Neymar, fora da fase de grupos por lesão, e com a lateral remendada depois do corte do Wesley. Não é cenário pra subestimar ninguém.
Quem é esse Marrocos
Vale a pena relembrar de quem a gente está falando. Na Copa de 2022, o Marrocos chegou à semifinal — a melhor campanha de uma seleção africana na história do torneio — e fez isso eliminando Espanha e Portugal no mata-mata. Quarto lugar do mundo. Não foi sorte de chaveamento: foi uma equipe que defendeu como um bloco só e puniu na hora certa. Hoje, o Marrocos ainda é o atual campeão africano.
E tem o retrospecto recente, que dói. As seleções só se enfrentaram três vezes em jogos oficiais: o Brasil venceu em 1997 (amistoso, 2 a 0) e na Copa de 1998 (3 a 0), mas a última vez foi em 2023, e deu Marrocos 2 a 1 — a primeira vitória deles sobre o Brasil na história, com boa parte deste elenco já em campo. A vantagem geral continua brasileira, mas a foto mais recente é do adversário.
Como o time joga
O capitão é Achraf Hakimi, lateral-direito do Paris Saint-Germain e um dos melhores do mundo na posição. Ele sobe a linha inteira, vira praticamente um ponta quando o time ataca e ainda tem fôlego pra voltar. É por aquele corredor que o perigo nasce. No gol está Yassine Bounou, especialista em fazer defesa difícil em Copa, como o mundo todo viu em 2022. No meio, Sofyan Amrabat segura a casa e Brahim Díaz, do Real Madrid, aparece pra dar o último passe.
É um time que não corre atrás do jogo desesperado: deixa o adversário com a bola, compacta os espaços e, quando recupera, ataca na velocidade do Hakimi e do trio ofensivo. Nas Eliminatórias africanas, foi um dos times menos vazados da competição. Defesa fechada não é elogio retórico — é o número deles. Some a isso a força nas bolas paradas e nos duelos físicos, e você tem um adversário que sabe exatamente o que faz quando o jogo está apertado.
O único ponto em aberto é o banco: o treinador Mohamed Ouahbi assumiu há pouco tempo, no lugar de Walid Regragui, e um time que trocou de comando recente nem sempre está cem por cento ajustado. É uma janela pequena, mas existe — e o Brasil precisa enxergá-la.
O que o Brasil precisa fazer
Contra um bloco baixo, a palavra é paciência. Sair afobado, chutando de qualquer posição, é entregar o contra-ataque de bandeja para o Hakimi. O caminho é o que funcionou contra o Egito: Vinícius Júnior e Raphinha pelos lados, com liberdade pro um contra um, porque furar defesa fechada se resolve no talento individual e na bola parada.
O outro ponto é a lateral. Com o corte do Wesley, quem vai ficar de frente para o Hakimi virou a pergunta da estreia, e não dá pra deixar aquele corredor solto. Vale lembrar também o que está em jogo na tabela: terminar o Grupo C em primeiro costuma render um caminho mais leve no mata-mata, então não basta vencer — convém vencer bem.
Nada disso significa pânico: o Brasil é favorito, tem mais elenco, mais talento e mais bagagem de Copa. Mas favorito não é sinônimo de passeio. Se a Seleção entrar achando que ganha no nome, leva susto. Se entrar concentrada, com a bola no chão e a cabeça fria, ganha — e ganha merecido.
