Análises
Cerro Porteño DE NOVO: a revanche cravada nas oitavas
O sorteio devolveu o Cerro Porteño ao caminho do Palmeiras nas oitavas da Libertadores. Algoz da fase de grupos, vira teste de mata-mata em agosto.

Sorteio repete a dose: Cerro Porteño no caminho
A Conmebol sorteou as oitavas de final da Libertadores 2026 nesta sexta-feira, em Luque, no Paraguai. O Palmeiras caiu no pote dois — reservado aos segundos colocados de grupo — e o cruzamento foi simbólico: Cerro Porteño, líder do mesmo grupo do Verdão na fase classificatória, do outro lado da chave.
A primeira partida está marcada para a semana de 11 de agosto, no Allianz Parque. A decisão acontece na semana de 18 de agosto, no Defensores del Chaco, em Assunção. O Cerro Porteño decide em casa porque terminou em primeiro na fase de grupos, à frente do Palmeiras no critério de pontos. É confronto de mata-mata onde o detalhe da ida vira moeda forte na volta.
O que o Cerro Porteño já fez contra o Palmeiras nesta edição
O detalhe pesa, e pesa mais ainda quando vira número. O Cerro Porteño foi o time que liderou o Grupo G de uma cabeça à outra: terminou com 10 pontos contra 8 do Palmeiras, e a virada se desenhou justamente no jogo direto. Não foi sorte: foi leitura tática em cima do meio-campo alviverde, com transição vertical eficiente e bola parada bem trabalhada.
O peso simbólico é maior. No dia 21 de maio, no Allianz Parque, o Cerro Porteño foi o time que encerrou cinco anos de invencibilidade do Palmeiras como mandante na Libertadores. Foram 27 partidas sem perder em casa pela competição continental, sequência iniciada após a derrota para o Defensa y Justicia em 2021. Vegetti marcou logo no início do segundo tempo. O placar terminou em 1 a 0 para o paraguaio. A marca, construída em cinco anos, caiu em uma noite só.
Quem viu o jogo lembra: o Cerro não veio se defender no Allianz. Adiantou linhas no momento certo, segurou a transição do Palmeiras pelos lados e fechou o miolo da área quando precisou. Mereceram terminar na frente.
O Palmeiras de agora não é o de cinco semanas atrás
O time que enfrentará o Cerro Porteño em agosto é outro. A goleada por 4 a 1 sobre o Junior Barranquilla, no Allianz, em 28 de maio, mostrou três movimentos claros do trabalho de Abel Ferreira no fim da fase de grupos.
Primeiro: Jhon Arias virou peça. Não é mais teste, é titular. Dois gols na goleada contra o colombiano, função fixa entre linhas, leitura de espaço cada vez mais afinada. O atacante cobriu o vazio que as convocações para a Copa do Mundo de Clubes abriram e respondeu com gol e participação.
Segundo: Allan voltou a ter minutos e voltou a marcar. A pressão alta — marca registrada do Abel — ganhou um motor de área que estava faltando há semanas. É outro tipo de risco que o adversário precisa calcular antes de propor.
Terceiro: Andreas Pereira chegando das segundas linhas, finalizando. O ajuste fino por dentro do meio-campo abriu uma opção tática que o Verdão não tinha em maio. Abel ajustou peça por peça, na marra das três competições simultâneas.
Calendário ajuda: dois meses e a janela da Copa
A pausa da Copa do Mundo de Clubes cai bem para o Palmeiras. O Verdão perde temporariamente Gustavo Gómez, Flaco López e Jhon Arias para as seleções, mas ganha algo precioso: tempo de prancheta com elenco quase completo nos demais setores.
Abel Ferreira tem dois meses pra ajustar o time. Volta a ter disponibilidade integral. O elenco respira, recupera lesionados, treina padrões de jogo. Quem chega inteiro em agosto leva vantagem em mata-mata — e historicamente o Palmeiras de Abel chega.
O Cerro Porteño também tem a pausa. A diferença é estrutural: a base do time paraguaio joga junto há tempo, com encaixe pronto. A base do Palmeiras ainda está sendo construída, com Arias e Allan virando peças justamente agora. Dois meses pesam mais pra quem está ajustando.
Cenário tático para o confronto
O Cerro Porteño é organizado, veterano de Libertadores e joga junto há tempo. Defesa compacta, transição rápida, bola parada como arma. Não é adversário que aceita o jogo do outro: é o que impõe o próprio. Foi exatamente o que fez no Allianz na fase de grupos.
O Palmeiras precisa resolver na ida. Vantagem mínima no Allianz vira refém na volta; vantagem larga vira controle de jogo. Em Assunção, no Defensores del Chaco, jogar com qualquer placar de proteção é diferente de jogar precisando virar. A altitude e o ambiente hostil são variáveis que se mitigam com gol fora ou diferença no agregado.
Esse confronto não é revanche romântica. É correção de rota. O Cerro Porteño tirou da gente uma marca que custou cinco anos pra ser construída. Agora a fatura é cobrada no único lugar em que tem efeito prático: o mata-mata.
