Opinião

Abel na mira do Fulham: por que o Palmeiras pode ficar tranquilo

O nome de Abel Ferreira apareceu numa lista do Fulham. Antes de surtar: é especulação, o contrato vai até 2027 sem multa, e ele nem é o favorito.

Por Palestrino Gomes··4 min de leitura
Abel na mira do Fulham: por que o Palmeiras pode ficar tranquilo
Abel Ferreira em Palmeiras x ChapecoenseFoto: Marcos Ribolli
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Calma antes de enterrar o Palmeiras

Bastou o nome de Abel Ferreira aparecer numa lista de treinadores do Fulham, da Inglaterra, para a internet já decretar a saída do técnico. Vamos com calma. Isso não é proposta na mesa, não é consulta formal, não é mala de dinheiro batendo na porta da Academia de Futebol. É especulação de mercado europeu — e, em ano de Copa, com a janela inglesa fervendo, especulação é o que mais sobra.

O Fulham busca treinador porque Marco Silva pediu para sair e acertou com o Benfica. O favorito do clube era Kieran McKenna, do Ipswich, mas o inglês preferiu um ano sabático e deixou os londrinos na mão. Foi aí que a lista inchou — e o nome de Abel entrou no bolo.

O tamanho real dessa lista

E que bolo. Ao lado de Abel aparecem Ruben Amorim, ex-Manchester United, Frank Lampard, Hugo Oliveira, do Famalicão, e o espanhol Álvaro Arbeloa, que acabou de deixar o Real Madrid. Ou seja: o Fulham não escolheu Abel — colocou meia dúzia de nomes no radar para ver qual avança. É a diferença entre ser sondado e ser o alvo.

E tem um detalhe que derruba boa parte do pânico: nessa disputa, Abel não é o favorito. O nome mais avançado, com conversas preliminares já registradas, é o de Arbeloa. Dá para entender o tamanho do barulho por algo que provavelmente nem é a primeira opção do clube.

O contrato que trava qualquer saída

Mesmo que houvesse interesse de verdade, esbarraria numa parede. Abel tem contrato com o Palmeiras até dezembro de 2027, e esse vínculo não tem multa rescisória. Na prática: nenhum clube consegue pagar uma cifra e arrancar o treinador. Não existe esse botão. A decisão de sair, se um dia existir, depende exclusivamente dele.

E o discurso de Abel não muda há tempos: ele se considera um "treinador de projeto" e diz que pretende cumprir o contrato até o fim. A própria presidente Leila Pereira já garantiu publicamente, ainda em maio, que mantém o português no comando até o fim do mandato dela. Abel passou os primeiros dias do recesso no Brasil e se reapresenta em 21 de junho para montar o segundo semestre. Não é exatamente o comportamento de quem está com um pé na Inglaterra.

Assédio em cima de Abel é rotina

Para não cair no bairrismo cego, vale o outro lado: cobiça em cima de Abel não é novidade. O nome dele já foi ligado a Tottenham, Wolverhampton, Everton e West Ham. Quem chegou mais perto de levá-lo foi o Al-Sadd, do Catar, em uma novela que foi parar na Justiça por um suposto pré-contrato e terminou em acordo. Resultado de todos esses capítulos? Abel seguiu no Palmeiras. O histórico joga a favor de quem mantém a calma.

Quer o Abel fora? Então responde: quem entra no lugar?

Aqui vale encarar de frente uma parte da torcida que está torcendo pela saída, achando que seria uma espécie de libertação. Eu penso o contrário — e por um motivo prático, não passional. Se Abel sair, quem vem? No futebol brasileiro de hoje, é difícil apontar um único treinador fazendo um trabalho de excelência, no patamar dele, e capaz de pegar esse projeto e levar adiante. O que sobra é a mesma roda de sempre: nomes que rodam de clube em clube e que já se viu fracassar em três, quatro lugares.

A alternativa seria apostar num estrangeiro desconhecido — exatamente o que o Palmeiras fez quando trouxe o próprio Abel, um nome que ninguém aqui conhecia direito. Só que aquilo foi um acerto raríssimo, quase um raio na garrafa. Apostar que a sorte se repetiria de primeira é, no mínimo, ingenuidade. Trocar o certo pelo duvidoso, nesta altura, soa muito mais como tiro no pé do que como evolução.

O que realmente deveria preocupar

A leitura aqui é direta: o rumor do Fulham é o menor dos problemas do Palmeiras agora. O que pesa de verdade é o segundo semestre. Depois de um 2025 frustrante, a cobrança por título de expressão está batendo na porta — e o calendário não dá trégua: o time lidera o Brasileirão com sete pontos de vantagem, está nas oitavas da Copa do Brasil e nas oitavas da Libertadores.

É nesse tabuleiro que a temporada se decide, não numa lista de jornalista inglês. Abel fica. A novela que interessa não é se ele vai para a Premier League — é se este elenco vai entregar o título que está faltando.

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