Opinião

Ancelotti garante Seleção pronta. E o Neymar machucado?

Ancelotti diz que o Brasil tá pronto pra Copa. Mas Neymar está lesionado e o 6 a 2 no Panamá não prova nada.

Por Palestrino Gomes··4 min de leitura
Ancelotti garante Seleção pronta. E o Neymar machucado?
Foto: Rafael Ribeiro/CBF
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"Pronto" é uma palavra perigosa em véspera de Copa

A Seleção Brasileira desembarcou nos Estados Unidos para a reta final de preparação e o Carlo Ancelotti já soltou o recado: na visão dele, esse time está pronto para a Copa do Mundo. Vindo de um treinador que ganhou tudo o que se pode ganhar, a frase tem peso. Mas a Copa nem começou, e véspera de Mundial não é hora de cantar vitória — é hora de varrer o que ainda está solto. E tem coisa solta.

O 6 a 2 no Panamá não prova nada

Calma com a empolgação do placar. Seis a dois parece um show, mas é preciso ser honesto: o Brasil não vinha de uma sequência convincente, e o Panamá, com todo o respeito, não é régua para nada. O time fez o que tinha obrigação de fazer, golear quem tem menos qualidade. Isso, sozinho, não diz se a Seleção está pronta para brigar pelo hexa.

O que realmente valeu a pena observar veio no segundo tempo, com os reservas em campo. E aí, sim, apareceram coisas boas:

  • Danilo mudou a dinâmica do jogo. Fez o que um volante tem que fazer — marcou, recompôs — e ainda apareceu na frente: marcou um golaço e participou de outro gol. Volante que chega à área e decide é um trunfo diferente, e dá ao Ancelotti um problema bom de resolver.
  • Paquetá entrou bem. A convocação dele foi questionada aqui — e a posição se mantém —, mas é justo reconhecer: deu a assistência, foi participativo. Se segurar esse nível, tem muito a entregar para a Seleção. Quando está bom, tem que falar que está bom.

O teste de verdade ainda vem

Vamos combinar: amistoso contra o Panamá não testa defesa. E, mesmo assim, o time ainda tomou dois gols, com os reservas em campo. Não é tragédia, mas liga um alerta. O exame de verdade é no sábado, contra o Egito, em Cleveland.

O Egito é uma seleção encardida, fisicamente forte, que se classificou com folga — bem diferente do passeio diante do Panamá. É lá que vamos enxergar se a defesa fecha e se o meio-campo segura a pressão contra gente de nível de Copa. "Pronto" diante do Panamá é uma coisa. "Pronto" depois de passar pelo Egito é outra.

Manter o Neymar foi a decisão certa

E tem o nome que pesa mais que qualquer placar de amistoso: o Neymar. Ele nem jogou contra o Panamá. Está com uma lesão na panturrilha, deve ficar de fora do amistoso contra o Egito e corre risco de perder até a estreia, contra o Marrocos. Muita gente questionou mantê-lo nessas condições. Aqui, não: Ancelotti acertou em bancar.

O motivo é simples. O Neymar é o único jogador realmente diferente que esse Brasil tem — o único capaz de resolver sozinho num momento de aperto, de inventar o que o resto do time não inventa. E, mesmo longe dos 100%, com ele em campo o respeito do adversário pela Seleção é outro. Isso vale uma vaga e vale a espera pela recuperação.

A preocupação de verdade está em outro lugar. Sobram perguntas que o amistoso não respondeu:

  • Quem dá o equilíbrio defensivo por trás de Vinícius?
  • O Casemiro sustenta os noventa minutos no ritmo de Copa?
  • Qual é a primeira opção na zaga?

Não é pessimismo. É a conta que todo torcedor que entende de bola está fazendo. A distância entre brigar pelo título e cair antes da hora mora exatamente nessas respostas.

Confiança sim, festa ainda não

Que fique claro: não se trata de jogar a Seleção para baixo. O Brasil tem elenco de sobra e um treinador acostumado a vencer mata-mata. A confiança do Ancelotti é justa e bem-vinda. Mas "pronto" é um carimbo que só dá para assinar depois do Egito, com a defesa de pé, o Neymar ganhando ritmo e o time desenhado.

Otimismo de torcedor está liberado — faz parte. Cobrança de quem quer o hexa de verdade também — e essa não pode parar só porque o time goleou o Panamá. A festa fica reservada para o dia 13, contra o Marrocos, se o Brasil ganhar jogando bem. Até lá, o trabalho é arrumar a casa.

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