Opinião

Brasil 1 a 1 com o Marrocos: o Vini salvou um time travado na estreia

excerpt: | Sem o golaço de Vinícius Júnior, o Brasil estreava perdendo. Raphinha sem profundidade, Igor Thiago abandonado, erro de Paquetá no gol e Endrick os 90 no banco.

Por Palestrino Gomes··5 min de leitura
Brasil 1 a 1 com o Marrocos: o Vini salvou um time travado na estreia
Saibari gol Marrocos Brasil Seleção Copa do MundoFoto: Caean Couto/Reuters
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O Brasil estreou na Copa do Mundo 2026 com um empate em 1 a 1 contra o Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Saibari abriu o placar aos 21 minutos do primeiro tempo, e Vinícius Júnior empatou aos 32, com um golaço. No placar, um ponto somado no Grupo C. Em campo, a verdade incômoda: sem a jogada individual do Vini, essa Seleção saía de campo derrotada na estreia. O Brasil jogou com o freio de mão puxado — e o empate esconde mais problemas do que resolve.

Raphinha pela direita e o 9 que ninguém abasteceu

O primeiro nó foi de função. Raphinha, de novo, não jogou o futebol que joga no Barcelona — e parte disso se explica pela posição, já que ele atua em função diferente na Seleção. O problema é o que essa escolha tira do time: jogando pela direita, o Brasil não teve profundidade nenhuma com ele. Raphinha cortava tudo para dentro e quase nunca foi à linha de fundo para cruzar.

Aí está o contrassenso. O Brasil escalou um centroavante de área, Igor Thiago, um jogador que vive de bola alçada e de cruzamento. Montar o ataque assim e não buscar a linha de fundo é condenar o camisa 9 ao isolamento. Igor Thiago fez pouquíssimo — repetindo o que já tinha acontecido no amistoso contra o Egito, quando começou jogando e não aproveitou. A cobrança individual é justa, mas a conta não é só dele: escalar um 9 de referência e não cruzar para ele é pedir para o atacante fracassar.

O segundo tempo cruzou — mas sem 9 de área

No segundo tempo, Carlo Ancelotti mexeu, e mexeu justamente no ponto do problema. Raphinha veio mais para o miolo e entraram Matheus Cunha e Luiz Henrique. O time enfim ganhou a linha de fundo e passou a cruzar mais. Só que o problema apenas se inverteu: quando os cruzamentos finalmente vieram, não havia mais um atacante de área esperando na pequena área. Matheus Cunha herdou a camisa 9, mas não é um 9 de área — não é o tipo de jogador que ataca o segundo pau e disputa a bola alta dentro da área.

Resultado: o Brasil passou o jogo com o problema trocando de lado. Na etapa em que tinha o 9 de área, não cruzava. Na etapa em que cruzou, não tinha mais o 9. É a falta de um projeto claro de ataque ficando exposta logo na estreia.

Paquetá: um chapéu, um quase-golaço e o erro que custou o gol

O caso Lucas Paquetá merece capítulo à parte. Ele quase fez um golaço de voleio e deu um chapéu bonito em um marroquino — e foi isso. Pior: foi dele o erro de domínio que abriu o contra-ataque do gol do Marrocos. Ibañez tocou, Paquetá não dominou, o Marrocos roubou a bola e, na sequência, Saibari tocou por cima de Alisson. O gol nasce naquele lance.

Daí a pergunta direta: por que ele é sempre titular? Numa estreia em que o time precisava vencer, errar domínios, atrasar jogadas e tentar um chapéu para trás, sem objetivo, não combina com o tamanho do jogo. É uma cobrança de função e de prioridade — o que o time precisava ali não era drible de efeito, era objetividade.

Vinícius Júnior salvou a noite

O lado bom tem nome e sobrenome: Vinícius Júnior. Com o Brasil atrás do placar e travado, foi ele quem resolveu — jogada individual pela esquerda, corte para dentro e finalização no ângulo. Um golaço de quem decide jogo de Copa quando o coletivo não funciona. O crédito do ponto é dele.

Mas a foto completa cobra o resto do time. O gol sofrido foi de marcação frágil, em contra-ataque, com a defesa olhando a bola passar. E os números reforçam o desconforto: posse dividida (51% a 49%) e o Marrocos finalizando mais que o Brasil — 14 chutes a 12. Em uma estreia de Copa, contra um adversário organizado, esse equilíbrio não é detalhe.

Endrick os 90 no banco — e o alerta para frente

O ponto que mais pesou foi o banco. Com o time pedindo gol, Ancelotti usou as cinco substituições — Danilo, Fabinho, Matheus Cunha, Luiz Henrique e Danilo Santos — e deixou Endrick os 90 minutos sem entrar. Nem cinco minutos. O atacante é, hoje, quem mostra mais fome de jogar essa Copa, e tem o histórico de resolver com pouco tempo em campo. Não testar isso, num jogo empatado e truncado, foi a decisão mais difícil de defender.

E fica o aviso para o que vem. Se contra o Marrocos o time já correu com o freio de mão puxado, o sinal de alerta acende para quando aparecer um adversário de ritmo mais alto — uma França, uma Espanha — onde um erro de domínio vira gol em segundos. Aí não dá para depender de um lampejo individual para salvar a noite. A estreia somou um ponto e entregou uma lista de perguntas. A Copa não vai esperar as respostas.

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