Opinião

Inverteram a pauta: a súmula tapou a vitória do Palmeiras

A súmula de Anderson Barros virou manchete, mas o que importa é o Palmeiras ter vencido a Chapecoense com um a menos, líder e 13 jogos invicto.

Por Palestrino Gomes··5 min de leitura
Inverteram a pauta: a súmula tapou a vitória do Palmeiras
Felipe Fernandes de Lima apitou Palmeiras x ChapecoenseFoto: Marcos Ribolli
ANÚNCIO

Inverteram a pauta

O Palmeiras venceu a Chapecoense por 1 a 0 no Allianz Parque, jogou meio jogo com um a menos, fechou a 18ª rodada líder isolado e com 13 jogos de invencibilidade no Brasileirão — e o assunto da semana virou uma frase anotada na súmula. Se você acompanhou a repercussão, percebeu: a vitória sumiu do debate e entrou no lugar a abordagem do diretor de futebol ao árbitro. É a velha inversão de pauta, e ela merece ser desmontada com a regra na mão.

Antes de qualquer choro, o combinado aqui é honestidade: vamos passar lance por lance, sem vitimismo e sem fingir que o Palmeiras só foi prejudicado.

O vermelho do Allan foi correto

Aos 42 minutos do primeiro tempo, Allan recebeu o cartão vermelho por um pisão em Giovanni Augusto. Sola por cima, lance de cima para baixo, sem disputa legítima de bola. Cartão correto. Não tem o que discutir, e quem quer ser levado a sério quando reclama de arbitragem precisa começar admitindo o vermelho quando ele é vermelho. O Palmeiras passou um tempo inteiro com dez por responsabilidade do próprio jogador — isso não é problema do árbitro.

VAR: a anulação foi justa, e o pênalti também

O segundo tempo é onde mora a confusão, e a CBF divulgou os áudios do VAR de dois lances. No primeiro, aos 50 minutos, a Chapecoense empatou com Ítalo. O árbitro validou na hora, o VAR chamou para revisão e ele voltou atrás, anulando por empurrão em Murilo.

A anulação foi justa. Houve a mão nas costas do zagueiro, que é desequilibrado antes de a bola sobrar limpa para o finalizador. Impacto direto na jogada. É exatamente para isso que o VAR existe, e nesse lance ele funcionou. Reconhecer isso não é fraqueza — é o que dá autoridade para criticar o resto.

E aos 61 minutos veio o pênalti para a Chapecoense, depois de novo chamado ao monitor. Aqui também vou ser honesto: foi pênalti. Se a gente cobra critério quando o lance é a favor, tem que aceitar quando ele é contra. O que salvou o Palmeiras não foi o juiz, foi a trave: Bolasie pegou a bola, bateu e carimbou o travessão. Isolou. Justiça poética em forma de bola na trave.

Repara no que sobra dessa conta: vermelho certo, gol anulado certo, pênalti certo. A arbitragem acertou os três lances grandes do jogo. E é justamente por isso que a história fica interessante — porque, sem reclamação de juiz para sustentar, a polêmica da semana precisou ser fabricada em outro lugar.

A súmula de Anderson Barros — e o áudio que ninguém soltou

Antes de chegar na súmula, preciso cravar uma opinião, e ela não tem nada a ver com os lances: acertar marcação não é a mesma coisa que conduzir bem um jogo. Esse árbitro acertou os três lances grandes, já dei o crédito. Mas, para mim, ele é ruim por postura. É daqueles que querem ser o protagonista. Todo jogo que ele apita acaba em confusão, em cartão, em bate-boca espalhado pelo campo inteiro. Não é azar nem coincidência: é o jeito como ele toca a partida. E foi exatamente esse perfil que transformou um 1 a 0 tranquilo de líder numa novela de bastidor.

É aqui que a novela ganha corpo. O árbitro relatou na súmula que o diretor de futebol Anderson Barros foi tirar satisfação no intervalo e repetiu seis vezes a mesma frase:

"Felipe, você não pode ameaçar meu banco de reservas."

Seis vezes, segundo o documento. Virou manchete em todos os portais. E aqui vale uma pergunta de lógica simples: se o dirigente desceu para falar exatamente isso, com essas palavras, é porque alguém ali entendeu que o banco do Palmeiras havia sido ameaçado antes. Essa parte — o que esse árbitro de pavio curto falou para o nosso banco e provocou a reação de Barros — não apareceu em lugar nenhum. Cadê o áudio? Cadê o relato desse pedaço da história?

Transparência pela metade não é transparência

Não dá para passar pano para o nosso lado, e não é isso que está sendo feito aqui. Diretor de futebol não tem que ir atrás de árbitro no intervalo. Isso está errado, ponto final. Mas existe uma diferença enorme entre cobrar a CBF a colocar tudo na mesa e fingir que só um lado da história existiu.

Divulgaram o áudio do VAR do gol anulado. Divulgaram o áudio do pênalti. Ótimo — transparência é isso. Então que divulguem o resto: o que o quarto árbitro falou para o banco, o contexto inteiro do bate-boca. Transparência pela metade é só narrativa escolhida a dedo, e é assim que uma vitória dura de time grande some embaixo de uma frase de bastidor.

O título da semana

No fim das contas, o que sobra é simples. O Palmeiras jogou metade do jogo com um a menos, segurou a pressão, sobreviveu a um pênalti, viu o adversário isolar a chance do empate e fechou a rodada líder isolado, 13 jogos sem perder, abrindo distância antes da parada para a Copa do Mundo. Esse é o título da semana. A frase de intervalo é nota de rodapé — e quem inverteu a ordem das coisas que arque com a explicação.

ANÚNCIO

Produtos em Destaque

Camisa Palmeiras Amarela Lançamento 2024/25 - Em Oferta

Camisa Palmeiras Amarela Lançamento 2024/25 - Em Oferta

R$199.50

Ver no Mercado Livre

🔍 Cole este texto no buscador do Mercado Livre: F2EKU5-EG14 🔗 Ou acesse o link: https://meli.la/1dyMZG4

Camisa Brasil Nike I 2026/27 Fã Masculina

Camisa Brasil Nike I 2026/27 Fã Masculina

R$199.97

Ver no Mercado Livre

🔍 Cole este texto no buscador do Mercado Livre: F2EKU5-XFSR 🔗 Ou acesse o link: https://meli.la/1R8SWaK

Camisa Oficial Palmeiras 1914 Símbolo Verde

Camisa Oficial Palmeiras 1914 Símbolo Verde

R$109.97

Ver no Mercado Livre

🔍 Cole este texto no buscador do Mercado Livre: F2EKU5-37FA 🔗 Ou acesse o link: https://meli.la/2rbBdLp

Compartilhar

ANÚNCIO