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Copa 2026 começa com juiz brasileiro e 3 vermelhos no Azteca

A Copa 2026 começou: trio brasileiro no apito, 3 expulsões no México 2x0 África do Sul e a Coreia do Sul virando na raça sobre a Tcheca.

Por Palestrino Gomes··4 min de leitura
Copa 2026 começa com juiz brasileiro e 3 vermelhos no Azteca
Imagem gerada por Inteligência Artificial
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A Copa começou com sotaque brasileiro

A Copa do Mundo de 2026 começou, e nos dois jogos que abriram o Mundial quem mais apareceu não foi nenhum atacante: foi um brasileiro vestido de preto, no meio do gramado do Estádio Azteca. Pela primeira vez na história das Copas, um árbitro brasileiro apitou a partida de abertura — Wilton Pereira Sampaio, com dois assistentes também brasileiros ao lado. E não foi uma estreia discreta: três expulsões num único jogo, com o Brasil ainda nem tendo entrado em campo.

No tablado, o anfitrião México bateu a África do Sul por 2 a 0 diante de mais de 80 mil pessoas. À noite, em Guadalajara, a Coreia do Sul fechou o dia virando sobre a República Tcheca por 2 a 1. Dois jogos do Grupo A, dois recados diferentes — e nenhum deles deixa o torcedor brasileiro relaxar para a estreia da Seleção.

México eficiente, mas sem responder tudo

O primeiro gol da Copa saiu cedo, aos oito minutos. A África do Sul errou a saída de bola na entrada da própria área, Julián Quiñones aproveitou a sobra, puxou para a direita e abriu o placar. No segundo tempo, já com os sul-africanos em desvantagem numérica, Raúl Jiménez completou de cabeça um cruzamento milimétrico para fazer o 2 a 0. Estreia em casa do jeito que o técnico Javier Aguirre pediu.

Mas é preciso ler o jogo com honestidade. O México foi eficiente, controlou e não tomou sustos — só que jogou boa parte da partida com um homem a mais e contra uma África do Sul que se atrapalhou sozinha. Eficiência vale pontos, e pontos é o que importa numa estreia. O que esse 2 a 0 ainda não respondeu é se o anfitrião tem fôlego para sonhar com mais do que a primeira fase.

Wilton e os três vermelhos: orgulho com ressalva

O grande personagem do jogo de abertura foi o apito. Esta é a terceira Copa de Wilton Pereira Sampaio — ele foi VAR em 2018 e árbitro de campo em 2022 —, e a vitrine máxima veio com decisões pesadas. Foram três expulsões: dois sul-africanos, um por falta como último homem e outro por agressão, e ainda um mexicano nos acréscimos.

Brasileiro apitando jogo grande sempre divide opinião, e aqui em casa a gente conhece bem esse roteiro. Mas, pelo que se viu, os vermelhos tinham fundamento: último homem é cartão vermelho, agressão é cartão vermelho, não há o que discutir na regra. O que pesa contra é o tom da partida — a arbitragem precisou aparecer demais, e um jogo de abertura todo picado, parando a cada falta, não é exatamente o cartão de visitas que a competição gostaria de mostrar. Orgulho de ter um trio brasileiro inaugurando o Mundial? Há. Atuação perfeita? Não: foi segura e correta no essencial, mas movimentada como poucas.

Coreia do Sul: a virada na raça que ninguém deve ignorar

O melhor jogo do dia veio no fechamento. A Coreia do Sul começou mal, levou o gol de Krejcí e viu a República Tcheca silenciar Guadalajara. O primeiro tempo terminou 0 a 0, com os asiáticos criando, desperdiçando e sempre buscando Son Heung-Min como referência na frente.

No segundo tempo, a Coreia fez o que melhor sabe: correu, pressionou e não deu descanso. Virou com Hwang In-Beom e Oh Hyeon-Gyu e, no apito final, os jogadores se jogaram no chão de exaustos. Foram 58% de posse de bola e 15 finalizações contra 5 — não foi sorte, foi sufoco imposto durante 90 minutos. O recado fica para toda a Copa: quem encarar a Coreia do Sul achando que é passeio vai penar do início ao fim.

Grupo A e o recado pro Brasil

Depois da primeira rodada, o Grupo A tem México e Coreia do Sul com três pontos cada — o México na frente apenas pelo saldo de gols. República Tcheca e África do Sul ficaram zeradas, com a corda no pescoço logo na estreia. E a chave já pegou fogo: México e Coreia se enfrentam na próxima quinta-feira, valendo a liderança isolada.

Por que isso interessa a quem torce pelo Brasil, se a Seleção está no Grupo C e ainda nem jogou? Porque a abertura já deu o aviso da competição: não existe jogo fácil nem grupo tranquilo. A África do Sul tomou 2 e terminou com nove em campo; a Tcheca, que é Europa, saiu na frente e perdeu para a intensidade asiática. O Brasil estreia em breve contra Marrocos, Escócia e Haiti — e se a primeira rodada ensinou alguma coisa, é que não dá para entrar achando que ganhou antes de a bola rolar. Primeira fase de Copa é mata-mata disfarçado.

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