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Mirassol 1x1 Palmeiras: a gordura da liderança acabou

O Verdão começou o domingo com seis pontos de vantagem e terminou com quatro, contra um Flamengo que ainda tem um jogo a menos.

Por Palestrino Gomes··5 min de leitura
Mirassol 1x1 Palmeiras: a gordura da liderança acabou
Abel Ferreira em Mirassol x PalmeirasFoto: Cesar Greco/Palmeiras
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Um ponto no interior e dois pontos de folga na fatura

O Palmeiras empatou em 1 a 1 com o Mirassol no Estádio José Maria de Campos Maia, pela 25ª rodada do Brasileirão, e chegou aos 52 pontos. Continua líder. Só que a conta que interessa não é a do placar — é a da distância.

O Verdão entrou nesta rodada com 51 pontos e seis de vantagem sobre o Flamengo. Saiu com 52 e quatro. Perdeu dois pontos de gordura somando um ponto, porque enquanto o líder patinava no interior paulista, o rubro-negro goleava o Botafogo por 3 a 0 no Maracanã e foi aos 48. E o Flamengo ainda tem um jogo a menos — três pontos em disputa que não estão na tabela. Na prática, a liderança do Palmeiras hoje vale um ponto.

Como o Mirassol travou o líder

Quem esperava um adversário reativo se enganou. O Mirassol subiu a marcação, ocupou o campo de ataque e disputou o jogo de igual para igual. O primeiro tempo terminou sem gols e praticamente sem futebol do lado alviverde: bola de lado, bola para trás, ninguém encarando o um contra um. Flaco López foi a única referência de área e desperdiçou o que teve.

O castigo veio logo aos quatro minutos da etapa final. Igor Formiga recebeu na direita, cruzou, e Eduardo subiu sozinho no meio da área para cabecear sem chances para Carlos Miguel. Sozinho, numa bola cruzada, numa área com Gustavo Gómez e Murilo dentro. Isso não é azar. É falha de marcação — e falha de marcação num time que se vende pela solidez defensiva.

Poderia ter sido pior. O Mirassol balançou a rede outra vez na sequência, com Bruno Santos, e o gol foi anulado por impedimento. Aos 20, Gustavo Silva saiu na cara do gol e parou em Carlos Miguel. Se aquela bola entra, o jogo estava enterrado.

O empate de Maurício e a única jogada bem construída

O 1 a 1 saiu aos 29 minutos do segundo tempo, e saiu da melhor jogada alviverde da noite: Giay avançou pela direita e cruzou, Gómez desviou de cabeça no meio da área e Maurício dominou e bateu no canto, sem chance para Walter. Gol bonito num jogo que não teve nada de bonito. Foi o suficiente para salvar o ponto — e praticamente a única contribuição visível do camisa 18 na partida.

O VAR acertou. E o vermelho do Arthur não tem defesa

Aos 34 do segundo tempo, Fernandinho entrou na área e caiu no carrinho de Giay. O árbitro João Vítor Gobi marcou pênalti, foi chamado ao monitor e voltou atrás. E acertou. Giay pegou a bola primeiro. Não houve roubo nem conspiração: houve VAR corrigindo um erro de campo, que é exatamente para isso que ele existe. Reclamar de lance certo é choro, e choro não vira ponto na tabela.

O que não tem defesa é o que veio depois. Aos seis minutos dos acréscimos, Arthur cometeu uma falta desnecessária em Carlos Eduardo e levou amarelo. Na sequência, no mesmo jogador, repetiu a dose e foi expulso. Jogo empatado, bola rolando para nada, três dias antes de decidir uma vaga na semifinal da Copa do Brasil. Isso não é raça — é falta de cabeça. E o preço é desfalque na próxima rodada do Brasileirão, num campeonato que está sendo decidido por um ponto de diferença.

A ressalva honesta: cinco desfalques e a Vila na quarta

Cobrar sem contexto é fácil demais. O Palmeiras entrou em campo com cinco baixas: Paulinho, Jefté, Piquerez, Jhon Arias e Sosa. Três do setor ofensivo, dois do lado esquerdo inteiro. Arthur, que terminou expulso, estava ali justamente tapando um buraco que não era dele.

E o Mirassol não é freguês de ninguém. No primeiro turno o jogo foi um 1 a 0 sofrido, o time segurou o Santos fora de casa uma semana atrás e joga num campo curto que engole time grande. Perder ponto ali não é vergonha — é o que acontece com quase todo mundo que passa pelo Maião. Some a isso o calendário: na quarta-feira tem Vila Belmiro, 21h30, volta das quartas de final da Copa do Brasil, com 3 a 0 de vantagem construída em casa. Nesse cenário, poupar perna e aceitar um ponto no interior não é crime — é gestão.

Só que ressalva explica, ressalva não absolve. Cinco desfalques justificam um time mais burocrático. Não justificam um gol tomado de cabeça sem marcação nenhuma dentro da área, nem um lateral expulso por duas faltas bobas nos acréscimos de um jogo empatado.

O que muda daqui para frente

O Palmeiras não perdeu o Brasileirão neste domingo. Perdeu a folga. E folga, neste campeonato, é o que separa liderança tranquila de liderança com o Flamengo respirando na nuca em setembro. Quarta é Vila Belmiro com 3 a 0 na mão, e classificação virou obrigação. Depois disso, o Brasileirão volta — sem Arthur, com o departamento médico ainda cheio e com um ponto de vantagem real na conta.

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