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Palmeiras 1 x 0 LDU: Giay salva a noite, mas o placar entrega Quito

O lateral fez o primeiro gol pelo clube e foi o melhor em campo. O time ficou devendo o resto — e um a zero é pouco demais para levar a 2.850 metros de altitude.

Por Palestrino Gomes··5 min de leitura
Palmeiras 1 x 0 LDU: Giay salva a noite, mas o placar entrega Quito
Giay comemorando o gol contra a LDUFoto: Cesar Greco/Palmeiras
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Ganhou, e ganhou pouco

O Palmeiras venceu a LDU por 1 a 0 nesta quarta-feira, no Nubank Parque, pelo jogo de ida das quartas de final da Libertadores. Gol de Agustín Giay, aos 25 minutos do primeiro tempo. Foi o primeiro dele com a camisa do clube, e ele foi o melhor jogador em campo.

Dito isso — e é preciso dizer de novo, porque a manchete vai vender a vitória e esconder o resto: um a zero é pouco. A volta é na próxima quarta-feira, dia 16, às 19h, no Rodrigo Paz Delgado, em Quito, a cerca de 2.850 metros de altitude. O Palmeiras teve noventa minutos em casa, com a casa cheia, contra um adversário que passou nos pênaltis contra o Mirassol e é apenas o quinto colocado do Campeonato Equatoriano. Saiu com a menor margem possível.

A conta que interessa é essa: a LDU se classifica vencendo por dois gols de diferença, e leva a decisão para os pênaltis vencendo por um. Não existe mais gol qualificado. Ou seja, o Verdão vai para a altitude com um resultado que qualquer bola parada, qualquer erro de saída, qualquer dez minutos ruins apaga.

Giay: o gol e a noite inteira

O lance do gol nasceu na esquerda, com Vitor Roque ganhando a disputa no erro do defensor equatoriano, invadindo a área e batendo forte e cruzado. Gonzalo Valle espalmou, a bola sobrou limpa e Giay chegou de peixinho, mandou no travessão e viu a bola entrar. Primeiro gol do argentino pelo Palmeiras.

Mas quem viu o jogo sabe que reduzir a atuação dele ao gol é injustiça. Giay foi o jogador mais presente do time nos dois lados do campo. Foi dele o cruzamento rasteiro aos 30 que quase virou o segundo, com Vitor Roque desviando em cima de Valle. Foi ele quem pegou o rebote da falta cobrada por Arias aos 20 e mandou por cima. Foi ele quem apareceu de novo aos 40, na sobra do cruzamento de Piquerez, com a defesa da LDU tirando em cima da linha.

E foi ele, também, quem mais apanhou: levou falta dura de Michael Estrada aos 15, que rendeu amarelo ao equatoriano, e outra de Yerlin Quiñónez aos 35, mesmo destino. Quando um lateral é o alvo preferencial das faltas do adversário, é porque ele estava sendo o problema. Foi exatamente isso.

Num time que ficou devendo, ele entregou. Vale registrar com todas as letras, porque não é sempre que o jogador que decide também é o que mais correu.

O que o Palmeiras ficou devendo

Agora a parte que ninguém vai gostar de ler.

O Palmeiras dominou a posse e teve o controle territorial do jogo praticamente inteiro, mas transformou volume em muito pouco perigo real. A LDU se fechou atrás da linha da bola desde o primeiro minuto, apostou na velocidade do contra-ataque e não precisou fazer nada de excepcional para segurar o placar em um gol.

Os problemas foram três, e todos conhecidos:

  • Erro na construção. O time errou passe demais na saída e na entrada do último terço, e vários desses erros viraram transição para o adversário. Aos 30 do primeiro tempo, Carlos Miguel errou a saída e entregou a bola no pé de Estrada dentro da própria área — Barboza salvou.
  • Falta de repertório contra bloqueio baixo. Com a LDU compacta, a resposta foi cruzamento e chute de fora. Funcionou uma vez, no rebote. Nas outras, morreu na zaga.
  • O segundo tempo esvaziou. Depois das mudanças da LDU, o jogo ficou mais lento, o Palmeiras manteve a bola sem finalizar e o adversário voltou para o vestiário com a eliminatória aberta — que era exatamente o que ele queria.

É o mesmo padrão que vem se repetindo há semanas: contra o Santos foi 0 a 0, contra o Botafogo foi 0 a 0, contra o Mirassol foi 1 a 1. O time cria, controla e não mata. Contra time de meio de tabela isso custa ponto. Em mata-mata de Libertadores, custa a temporada.

Gustavo Gómez fora: a conta mais cara da noite

Aos 43 do primeiro tempo, Gustavo Gómez cortou um contra-ataque da LDU com falta em Estrada e levou o terceiro cartão amarelo na competição. Ele havia sido advertido contra o Sporting Cristal e contra o Cerro Porteño, ainda na fase de grupos. Está suspenso para o jogo de volta.

Não dá para tratar isso como detalhe. O capitão é o zagueiro que organiza a linha, é quem manda na bola aérea defensiva e é quem já fez gol decisivo nesta mesma Libertadores — foi dele o gol da classificação sobre o Cerro Porteño, em Assunção. Agora ele fica de fora justamente do jogo em que o Palmeiras vai defender uma vantagem mínima, na altitude, com bola alçada na área a cada dois minutos.

Abel terá de escolher entre Bruno Fuchs e um rearranjo da linha com Murilo e Barboza. Seja qual for a solução, ela é pior do que ter Gómez.

A memória de 2025 não é um seguro

Vai aparecer nas redes, nas próximas horas, o argumento fácil: "a gente já virou 3 a 0 contra eles, um a zero está ótimo". Essa leitura é preguiçosa e perigosa.

Na temporada passada, na semifinal, a LDU venceu por 3 a 0 em Quito e o Palmeiras virou com 4 a 0 em casa. A virada foi histórica — o primeiro time brasileiro a reverter três gols de desvantagem num mata-mata de Libertadores. E é exatamente por ser histórica que ela não pode virar plano.

A informação útil daquele confronto é a outra metade: a LDU é capaz de fazer três gols em noventa minutos dentro do Rodrigo Paz Delgado. Ela fez. Contra este mesmo clube. E é para lá que a eliminatória caminha agora com um gol de diferença no agregado.

O jogo de volta ficou perigoso — e o Palmeiras escolheu isso

Existe uma diferença enorme entre ir a Quito para jogar e ir a Quito para administrar. Com dois ou três gols de vantagem, o Palmeiras entra na altitude com a bola no pé, esperando o erro de quem precisa se expor. Com um gol, entra recuando, cansando antes, defendendo escanteio a partir dos vinte minutos do segundo tempo.

A altitude não perdoa quem precisa correr atrás do jogo, e também não perdoa quem passa noventa minutos se defendendo. O único cenário confortável era o que se resolvia em casa. Não se resolveu.

A LDU voltou para o Equador com o que foi buscar: derrota por um gol, eliminatória viva e a decisão no próprio quintal. Do outro lado, um time que teve a torcida, o campo, o adversário reservado e a chance de encerrar a conversa — e devolveu o assunto para a semana que vem.

O que vem agora

Antes do Equador, o Palmeiras tem compromisso pelo Brasileirão no fim de semana, no Nubank Parque, na sequência da briga ponto a ponto com o Flamengo. Depois, a viagem para Quito, com o jogo de volta marcado para quarta-feira, 16 de setembro, às 19h (de Brasília), no Rodrigo Paz Delgado. Quem passar enfrenta o classificado de Fluminense e Platense na semifinal.

A vitória foi justa e o Giay merece a noite dele. Mas o time saiu de campo com a mesma tarefa que tinha antes de o jogo começar: fazer gol quando o jogo pede gol. E agora essa tarefa vai ter que ser cumprida a 2.850 metros de altitude, sem o capitão.

Ficha do jogo

  • Palmeiras 1 x 0 LDU — Libertadores 2026, quartas de final (jogo de ida)
  • Local: Nubank Parque, São Paulo (SP) — quarta-feira, 9 de setembro, 19h
  • Gol: Agustín Giay, aos 25 minutos do primeiro tempo
  • Palmeiras: Carlos Miguel; Murilo, Gustavo Gómez e Barboza; Giay, Marlon Freitas, Lucas Evangelista e Piquerez; Jhon Arias, Vitor Roque e Flaco López. Técnico: Abel Ferreira
  • LDU: Gonzalo Valle; Weigandt, Allala, Adé e Segovia; Cornejo, Pretell e Lucas Rodríguez; Corozo, Yerlin Quiñónez e Estrada. Técnico: Gustavo Álvarez
  • Amarelos: Gustavo Gómez e Lucas Evangelista (PAL); Estrada e Yerlin Quiñónez (LDU)
  • Desfalque na volta: Gustavo Gómez, suspenso pelo terceiro amarelo
  • Arbitragem: Jesús Valenzuela (VEN), auxiliado por Jorge Urrego e Tulio Moreno; VAR: Juan Soto
  • Jogo de volta: 16 de setembro, 19h, Rodrigo Paz Delgado, Quito
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