Análises
Palmeiras 3x0 Santos: o clássico que o Peixe não quis jogar
Dois de Flaco López, um de Andreas Pereira e um adversário que veio sem o principal jogador. O 3 a 0 diz mais do que o placar.

Um 3 a 0 construído antes do apito
O Palmeiras venceu o Santos por 3 a 0 no Nubank Parque, na ida das quartas de final da Copa do Brasil, na mesma noite em que o clube completou 112 anos. Dois gols de Flaco López e um de Andreas Pereira. Mas parte da história desse resultado começou antes de a bola rolar: Neymar foi relacionado, não entrou em campo e sequer viajou com a delegação, por não querer atuar em gramado sintético.
Vale colocar o argumento à prova em vez de repeti-lo. Se o sintético inviabiliza o futebol de alto nível, é curioso que o time que joga nele o ano inteiro — com o calendário mais pesado do país e três competições simultâneas — chegue ao fim de agosto na liderança do Brasileirão, nas quartas da Libertadores e a um passo da semifinal da Copa do Brasil. Ou o gramado é o problema, ou o problema é outro.
A linha de quatro e a marcação individual do Santos
Depois de uma sequência com três zagueiros, Abel Ferreira voltou ao desenho com quatro defensores: Carlos Miguel; Giay, Murilo, Gustavo Gómez e Piquerez; Marlon Freitas, Andreas Pereira e Maurício; Jhon Arias, Flaco López e Vitor Roque.
Do outro lado, o Santos apostou em marcação individual com sobra na última linha — um esquema que costuma sufocar equipes lentas e previsíveis. Funcionou por meia hora. O Palmeiras demorou a encontrar a rotação necessária para desarmar a marcação homem a homem, e o primeiro tempo passou de trinta minutos sem gol.
O desbloqueio veio em três lances distintos, o que é o dado mais relevante da noite:
- 33' — Flaco López resolve na força: chute de fora da área no canto de Gabriel Brazão.
- 44' — Jhon Arias dribla Barreal pela direita e serve Marlon Freitas; o chute cruzado é espalmado e Andreas Pereira completa no rebote, no último lance do primeiro tempo.
- 60' — tabela de Marlon Freitas com Jhon Arias, Giay cruza na segunda trave e Flaco López ganha de Lucas Veríssimo no alto.
Chute de fora, rebote em jogada trabalhada e bola aérea. Três caminhos de gol diferentes contra uma marcação individual é exatamente o que faltava ao time nas semanas anteriores.
Flaco López e a resposta de Giay
O centroavante chegou a quatro gols nesta edição da Copa do Brasil e apareceu quando o time mais precisava, resolvendo de dois jeitos que não se parecem em nada — o que reduz a chance de o adversário anular sua produção com um ajuste só.
O outro nome da noite é Agustín Giay. O lateral-direito, alvo de crítica pesada nas últimas semanas, foi quem deu a assistência do terceiro gol. Em coletiva após a partida, Abel Ferreira fez questão de defendê-lo, dizendo que dedicação é o maior talento que alguém pode ter e que o argentino falha passes e cruzamentos, mas entrega tudo o que tem. O treinador registrou ainda que a assistência veio depois de mais de noventa jogos — e completou com um recado para quem vive de nota de jogador:
"Cuidado, porque crítica e elogio são impostores."
O que ainda preocupa para a Vila Belmiro
Nada disso transforma 3 a 0 em passaporte carimbado. O Palmeiras desperdiçou pelo menos três chances claras no segundo tempo — Giay cara a cara com o goleiro, Maurício na tentativa de cobertura e Piquerez de fora da área. Um placar mais largo encerraria a eliminatória ali.
Há problemas concretos para a volta:
- Jhon Arias deixou o campo aos 85 minutos com dores na parte posterior da coxa.
- Andreas Pereira e Alexander Barboza receberam cartão amarelo e estão pendurados.
- O elenco segue curto, e Abel afirmou em coletiva que não pretende poupar ninguém: a intenção declarada é apostar em todas as competições.
A conta da volta é simples. No dia 2 de setembro, na Vila Belmiro, o Palmeiras avança perdendo por até dois gols de diferença. Uma derrota por três leva a decisão aos pênaltis; por quatro ou mais, o Santos passa direto. Antes disso, ainda há Mirassol fora de casa, no domingo, pela 25ª rodada do Brasileirão.
O veredito
Foi a atuação mais completa do time desde a retomada do calendário — e não pelo placar, mas pela leitura de jogo. O Palmeiras encontrou a saída contra uma marcação individual, teve variedade de gol, viu o centroavante decidir e o lateral mais criticado do elenco responder com uma assistência.
Falta fechar. O próprio Abel resumiu a vantagem como interessante, mas insistiu que a eliminatória precisa ser encerrada em Santos. É a leitura correta: em jogo de ida, três gols de frente valem tudo e não valem nada até o apito final da volta.
Após o jogo, o treinador dedicou a vitória ao torcedor Lito Sousa, que enfrenta um problema de saúde.
